João Carlos Barroso - História


História de João Carlos Barroso


João Carlos de Albuquerque Melo Barroso é o nome completo do ator João Carlos Barroso que, no ano de 1961, quando estava jogando bola nas calçadas da Rua Bolívar, em Copacabana, foi abordado por produtores e diretores argentinos que estavam se preparando para rodar um filme em co-produção no Brasil, chamado “Pedro e Paulo”. Com 11 anos de idade, uma vez que nascido em 28 de fevereiro de 1950, na cidade do Rio de Janeiro, chamava atenção das pessoas que passavam por aquela rua, onde “rolavam grandes peladas”, fazendo com que muitos transeuntes parassem para observar e admirar seus dribles e sua habilidade futebolística, já então famigerada no bairro. Os argentinos o convidaram para fazer um teste para o filme, pois faltava o garoto da estória para começarem a rodá-lo. Disseram para ele “que se tornaria rico, formoso e famoso”. João Carlos, com sua já notória irreverência, respondeu perguntando: “e la plata, quanto yo voy a ganar?” ... Com tal resposta, já foi aprovado para o papel e, por conseguinte, devidamente remunerado.

Neste filme, atuou ao lado de Jardel Filho, Jece Valadão e Francisco Cuoco, sendo que este o levou imediatamente para em teatro estrear a seu lado e de Italo Rossi, Sergio Britto, Zilka Salaberry, Labanca, Cláudio Correia e Castro, Carminha Brandão e Fernanda Montenegro, na comédia “O Homem a Besta e a Virtude” de Luigi Pirandello, no teatro da Maison de France. O sucesso foi tal que João Carlos arrebatou vários prêmios de revelação teatral em 1962, tornando-se, segundo críticos da época, “a oitava estrela do Teatro dos Sete”. Isto tudo sob a direção do fabuloso cenógrafo e diretor italiano Gianne Rato. Daí para a televisão (inclusive ao vivo), foi um pulo: participou dos saudosos programas de teleteatro na TV Tupi, TV Rio, TV Continental, e depois em programas da revolucionária TV Excelsior. Entre os inúmeros elogios da crítica teatral, radialista e televisiva da época, recebeu de Lasinha Luís Carlos as seguintes palavras, que para ele tornaram-se inesquecíveis: “Saúda aquela criança que passa, será talvez um homem; saúda-a duas vezes, será talvez um grande homem – disse Confúcio. Lembro-me desta frase quando vejo João Carlos Barroso. Ele deve ser saudado duas vezes, talvez venha a ser um grande homem; pois, já é um grande menino.”

Trabalhando em inúmeros programas de televisão, com dezenas de participações no lendário “Grande Teatro Infantil” – um popular vesperal Trol, sob a direção de Fábio Sabag –, era na época, praticamente, a única criança a ser convidada para tudo o que acontecia a nível de teatro, cinema, rádio, dublagem, fotonovela e televisão.

Alguns o consideravam preguiçoso, pois devido à sua adolescência – quase prejudicada pelos inúmeros compromissos profissionais –, nunca deixou de lado o seu querido futebol de praia, onde, durante mais de dez anos, atuou no Dínamo F.C., do saudoso Tião Macalé, fazendo tanto sucesso quanto na vida artística. Dos dezoito aos dezenove anos, deu “um tempo” na carreira - a contragosto de muitos -, para completar os estudos no Colégio Mello e Souza, em Copacabana, onde estudou por alguns anos (ginásio e científico) e levar “um pouco de vida normal” como todo jovem deve ter o direito. Assim, ir à praia, namorar e estudar, passaram a ser prioridade.

Voltando aos palcos ao lado de Maria Della Costa - em 1970 -, aceitando um sedutor convite do laureado diretor Flávio Rangel, encenou “Tudo no Jardim”, de Edward Albee. Daí para a TV Globo, onde recomeçou uma nova fase de sua carreira. Levado por Guta e Régis Cardoso, reestreou ao lado do magistral Lima Duarte (Zeca Diabo) no papel de seu filho, Eustórgio, na inesquecível novela “O Bem Amado”; voltando assim, definitivamente, para a carreira artística. De lá para cá, foram vinte e três novelas e inúmeros programas, que passaram a fazer parte do seu considerável currículo.

Detalhe histórico: participou da última novela em preto e branco (Estúpido Cupido) e da primeira a cores (O Bem Amado), consideradas dois grandes sucessos da televisão brasileira.

Entre 1974 e 1986, foi um freqüentador assíduo da Fiorentina (restaurante “point” de alguns artistas no Leme) e do Pizza Pallace, em Ipanema. Na Fiorentina viveu e desfrutou de agradáveis, gloriosos e polêmicos momentos de sua vida pessoal. Freqüentemente, se deliciava escutando histórias de Jorge Dória, contando piadas para Milton Moraes, recebendo visitas de seu grande amigo Dary Reis, trocando idéias com Ana Maria Kreisler e, muitas vezes nas madrugadas, cantarolando saudosos sambas-canções com seu ilustre simpatizante Nelson do Cavaquinho, a quem convencia, constantemente, de “puxar” no seu venerado instrumento, dezenas de antigos sucessos da música popular brasileira. Ele sabia quase que de cor e salteado as letras e melodias de craques como Noel Rosa, Cartola, Lupcínio Rodrigues, Miltinho, Maysa, Aracy de Almeida, Vinícius, Mário Lago, Sílvio César, Roberto Carlos (principalmente), do próprio Nélson e de tantos outros que em suas geniais canções falavam de coisas do coração.

João Carlos, sempre dono de boa memória, era também excelente aluno de matemática e, constantemente, solicitado para dar aulas particulares a seus colegas de classe, no ginásio. Muito paquerado desde “Estúpido Cupido” teve lindas namoradas. Era o principal jogador do time de futebol dos artistas da TV Globo, onde haviam outras “feras”, como Eliezer Motta, Romeu Evaristo, Evandro Mesquita, Osmar Prado, Mário Petráglia, Cosme dos Santos, Mário Cardoso e outros; e, muitas vezes convidado, junto com Nuno Leal Maia, pelos “seniors” da seleção brasileira de futebol, jogou em partidas amistosas e beneficentes ao lado de grandes ídolos como Félix, Nélinho, Jairzinho, Marinho Chagas, Edu, Gérson (do qual é grande admirador), Ademir da Guia, Paulo César Caju e Rivelino.

Nos dias de hoje, João Carlos relembra carinhosamente de sua juventude: "Era uma época de ouro: eu passava em casa todos os dias, para ver meu pai e minha mãe, antes ou depois do trabalho. Sempre dava um jeito... Adorava conversar com meus tios e tias, irmãos e irmãs. Sempre fui carinhoso e solidário com meu pai e minha mãe. Procurava retribuir de todas as formas, o carinho e a educação que eles me deram durante toda a minha infância. Gostava de administrar as contas e os compromissos financeiros da família, contribuindo, organizando ou concatenando as despesas necessárias. Minha família era um bloco, e me deu muita base, para que eu fizesse uma carreira honesta e verdadeira. Compartilhei sempre de todos os problemas e de todas as soluções. A família deve estar sempre em primeiro lugar. Certa vez me perguntaram “o que era ou como era estar fazendo tanto sucesso”. Apesar de ser sempre arredio a entrevistas, eu disse: “fazer sucesso é estar bem com a família, com os amigos, com os colegas, com a namorada e também com o trabalho”. Procurei de todas as maneiras conservar a simplicidade de minha vida particular. Este é o meu verdadeiro patrimônio existencial. O resto é passageiro. O resto não me faz falta. Nunca menosprezei a imprensa, mas jamais valorizei a mídia. No fundo, acho que daqui a cem anos, ninguém mais vai se lembrar disso. E, com certeza, " no céu, no céu, no céu, com minha família estarei..."


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